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Saúde sem neura

Parar de comer carne depois dos 45: as 6 dúvidas que mais aparecem e o que se sabe sobre cada uma

Por Lucas, da Mesa Verde · · 9 min de leitura

Muita mulher a partir dos 45 quer comer menos carne, pela saúde, pelo bolso ou por convicção, e trava em perguntas que ninguém responde direito. "Vou perder músculo?" "E os meus ossos?" "Soja na menopausa pode?" Para quem pensa em parar de comer carne depois dos 45, as dúvidas são quase sempre as mesmas seis. Juntei aqui o que se sabe sobre cada uma, com fonte, e um plano simples para começar sem brigar com a família.

As seis dúvidas:

  1. "Vou perder músculo sem carne?"
  2. "E os meus ossos, se eu cortar o leite?"
  3. "Preciso mesmo tomar B12?"
  4. "Soja faz mal na menopausa?"
  5. "O feijão me deixa estufada."
  6. "Minha família não vai comer."

"Vou perder músculo sem carne?"

Não precisa perder. Mas a proteína tem que estar em todas as refeições, não só no almoço.

Com a idade, o corpo perde músculo com mais facilidade. A referência para adultos é de 0,8 g de proteína por quilo de peso por dia; para quem passa dos 65, os grupos europeus PROT-AGE e ESPEN recomendam pelo menos 1,0 a 1,2 g por quilo. Para quem pesa 65 kg, isso dá de 52 a 78 g por dia. Dá para chegar lá com planta:

PorçãoProteína, mais ou menos
2 conchas médias rasas de feijão7 a 8 g
1 xícara de lentilha cozida14 g
1 xícara de grão-de-bico cozido14 g
100 g de tofu7 a 17 g, conforme a firmeza
30 g de PTS seca (carne de soja)14 g

E pesa tanto quanto o prato: exercício de força. A ESPEN diz que proteína e exercício juntos são o que melhor protege a força com a idade. Musculação, pilates com carga, exercício com elástico, subir escada. Sem isso, o músculo vai embora, com feijão ou com bife.

A tabela completa e um dia de cardápio estão em alimentos ricos em proteína vegetal.

"E os meus ossos, se eu cortar o leite?"

É a dúvida mais importante na menopausa. Dá para ter cálcio sem leite, mas não por acaso.

Com menos estrogênio, o corpo absorve menos cálcio e perde mais. O NIH calcula que a mulher perde, em média, cerca de 1% da densidade óssea por ano depois da menopausa, e por isso a recomendação de cálcio sobe para 1.200 mg por dia depois dos 50. Sem leite, entram outras fontes, todo dia:

  • Bebida vegetal enriquecida com cálcio: um copo tem perto de 250 mg. Nem toda é enriquecida; confira o rótulo.
  • Tofu feito com sulfato de cálcio (está na lista de ingredientes): meia xícara tem cerca de 250 mg.
  • Couve-manteiga refogada: cerca de 177 mg a cada 100 g, pela TACO.
  • Gergelim e tahine, chia, amêndoas, rúcula, agrião e brócolis: somam no dia.

Pegadinha: o espinafre tem cálcio, mas o corpo aproveita só 5% dele, segundo o NIH. E a vitamina D, que ajuda a usar o cálcio, vem principalmente do sol; muita gente tem pouca, coma carne ou não. Vale pedir o exame.

A lista completa e um dia de cardápio que chega perto de 1.200 mg estão em alimentos ricos em cálcio sem leite.

"Preciso mesmo tomar B12?"

Se você tirou carne, leite e ovo, sim. E depois dos 50, o assunto vale até para quem come carne.

A B12 não vem das plantas. Ela cuida do sangue e dos nervos, e a falta aparece devagar: cansaço, formigamento nas mãos e nos pés, esquecimento. Com a idade, o estômago passa a tirar menos B12 da comida. Por isso o NIH diz que pessoas acima de 50 anos deveriam obter a maior parte da B12 de alimentos enriquecidos ou de suplemento. O guia da União Vegetariana Internacional vai além e recomenda suplemento para todo vegetariano, inclusive quem come ovo e laticínios.

O suplemento é barato; a dose, quem define é o médico, de preferência com exame. O que levar para a consulta está em vegetariano precisa tomar B12?

"Soja faz mal na menopausa?"

A soja como comida (tofu, PTS, bebida de soja, edamame) é considerada segura.

O medo vem das isoflavonas, que lembram o estrogênio. Mas a American Cancer Society diz que comer soja não aumenta o risco de câncer de mama, e o Instituto Americano de Pesquisa do Câncer (AICR) a considera segura até para quem já teve a doença.

Duas ressalvas. Cápsula de isoflavona é outra coisa e pede orientação médica. E a soja não é remédio para o calorão: em 2023, a Sociedade Norte-Americana de Menopausa colocou os alimentos de soja entre as opções não recomendadas para isso. Tireoide, transgênico e quanto comer por dia estão em soja faz mal?

"O feijão me deixa estufada."

O problema quase sempre está no preparo e na pressa, não no feijão.

Os gases vêm de açúcares do grão que o intestino não digere sozinho. Boa parte deles fica na água do molho. Por isso:

  1. Deixe de molho de 8 a 12 horas, na geladeira se estiver calor. Se puder, troque a água no meio.
  2. Jogue fora a água do molho e cozinhe em água nova.
  3. Tempere com louro e cominho e não carregue na gordura na mesma panela.
  4. Aumente aos poucos. Quem passa de quase nada para feijão em todas as refeições sente mais. Em duas ou três semanas o intestino costuma se acostumar.

A lentilha vermelha costuma ser a mais leve de todas, e nem precisa de molho. O passo a passo completo, com tempo de pressão, está em como tirar os gases do feijão.

"Minha família não vai comer."

Não faça duas comidas. Mude só o meio do prato.

Essa é a dúvida que mais derruba quem começa. A Faunalytics, que acompanhou pessoas nos primeiros seis meses de mudança, mostrou que a falta de apoio de quem está perto está entre as barreiras que mais levam a desistir. O que funciona:

  • O prato feito continua. Arroz, feijão, salada e farofa nunca precisaram de carne. Só o meio muda.
  • Comece por pratos que eles já conhecem: estrogonofe, escondidinho, feijoada, macarrão à bolonhesa. Sem anunciar "hoje é vegano".
  • Dois ou três dias por semana no começo. Ir aos poucos é o caminho que dura.
  • Quem quiser carne, põe à parte. A base é a mesma para todo mundo.

Mais estratégias para o marido e os filhos que torcem o nariz estão em como fazer a família comer menos carne.

E o ferro, depois dos 45?

Preocupa menos do que se imagina. Depois da menopausa, a necessidade de ferro cai de 18 para 8 mg por dia (NIH), e o guia da IVU diz que mulheres vegetarianas que não menstruam não têm mais falta de ferro que as onívoras. Feijão com limão, laranja de sobremesa e cafezinho longe do almoço já ajudam. Suplemento de ferro, só com exame. Detalhes em alimentos ricos em ferro para vegetarianos.

Os remédios que você toma mudam alguma coisa?

Depois dos 45, muita gente já toma algum remédio contínuo. Alguns conversam com a mudança no prato. Leve esta lista para o médico:

Se você tomaO que observar
Metformina (diabetes, pré-diabetes)Pode baixar a B12 (NIH). Mais um motivo para o exame.
Omeprazol e outros remédios para o estômagoAtrapalham a absorção da B12 da comida (NIH).
Levotiroxina (tireoide)A soja pode atrapalhar um pouco a absorção do remédio. Tome em jejum e avise o médico se passar a comer soja com frequência.
Varfarina (anticoagulante)Couve, brócolis e outras folhas verde-escuras têm vitamina K. O NIH orienta manter a quantidade parecida de um dia para o outro; aumentar de repente pede conversa com o médico.
Suplemento de cálcioTome longe do suplemento de ferro, se usar os dois (NIH).

Como parar de comer carne depois dos 45: um plano de 4 semanas

Sem pressa e sem tudo ou nada. Uma sugestão que respeita o intestino, o bolso e a família:

  1. Semana 1: dois almoços sem carne. Escolha pratos conhecidos (estrogonofe, bolonhesa de PTS). Comece o remolho do feijão como hábito.
  2. Semana 2: três dias e o café da manhã. Ponha proteína de manhã: pasta de amendoim, homus, tofu mexido ou mingau com bebida de soja.
  3. Semana 3: a consulta. Marque médico ou nutricionista e peça B12, vitamina D, ferritina e hemograma. Se for a hora, pergunte sobre a densitometria.
  4. Semana 4: metade da semana sem carne. Teste um prato novo por semana, com couve ou gergelim para o cálcio. Veja o que a família aceitou e repita.

Daí em diante, você decide até onde quer ir. Muita gente fica no meio do caminho, comendo carne só em ocasiões, e está tudo bem: esse é o flexitarianismo. Para um passo a passo mais longo, veja como parar de comer carne aos poucos.

Resumindo: um prato que dá conta

Se for guardar uma coisa só deste texto, guarde esta montagem. Ela responde às dúvidas 1, 2 e 5 de uma vez:

  • Metade do prato: verduras e legumes, com um verde-escuro todo dia (couve, brócolis, rúcula).
  • Um quarto: proteína. Feijão, lentilha, grão-de-bico, tofu ou PTS.
  • Um quarto: base. Arroz, mandioca, batata ou macarrão.
  • Para fechar: gergelim, tahine ou amendoim por cima. E a B12 em dia, com orientação do médico.

Quando conversar com o médico antes de mudar

  • Você já tem osteopenia, osteoporose ou anemia.
  • Tem problema nos rins, diabetes ou toma remédio contínuo.
  • Vai tirar carne, leite e ovo de uma vez.
  • Teve ou tem câncer e pensa em usar algum suplemento.

Exames que costumam ser pedidos: B12, vitamina D, ferritina e hemograma. Leve este texto, se ajudar.

Aos poucos, com a família à mesa, a mudança fica.

Perguntas frequentes

Tirar a carne na menopausa faz perder peso?

Não dá para prometer. Algumas pessoas comem mais verdura e fibra e se sentem melhor; outras trocam a carne por massa e queijo e não veem diferença. O peso depende do conjunto da alimentação e da atividade física.

É melhor parar de comer carne de uma vez ou aos poucos?

Aos poucos costuma durar mais, principalmente quando a família come junto. Começar com dois ou três dias por semana dá tempo de aprender pratos novos e de o intestino se acostumar ao feijão.

Posso continuar comendo peixe ou ovo?

Pode. Não existe obrigação de tudo ou nada. Muita gente reduz a carne vermelha e mantém peixe, ovo ou laticínios, e isso facilita a B12 e o cálcio. O importante é o prato continuar completo.

Preciso de nutricionista para parar de comer carne?

Não é obrigatório, mas ajuda bastante depois dos 45, principalmente se você tem osteopenia, diabetes, problema nos rins ou toma remédio contínuo. Uma consulta com exames no começo evita surpresas.

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Fontes

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